Mula sem cabeça

Venâncio cresceu ouvindo tantas histórias sobre assombrações e fantasmas, que quando ouvia falar sobre algum avistamento nem dava importância.

No entanto, numa noite de sexta feira, durante a quaresma, Venâncio estava voltando do Arraial do Rio das Mortes em direção a São João del-Rei quando ouviu um alto relincho. 

Olhou ao redor e, sem encontrar nada, decidiu acelerar o passo pra casa.

Ao chegar perto do antigo Cruzeiro do Betume, próximo à Matriz de São José, voltou a ouvir o relincho e então avistou uma enorme Mula Sem Cabeça com o pescoço todo em chamas e correndo em sua direção.

Sem ter pra onde correr, Venâncio decidiu enfrentar o animal que o atacava ferozmente. Pegou a foice que trazia consigo depois do longo dia de trabalho que tivera e desferiu diversos golpes contra a Mula, ferindo seu corpo e decepando uma de suas patas dianteiras.

O enorme cavalo em chamas apoiou-se nas outras patas e fugiu em disparada para o meio do mato.

Venâncio aproveitou e correu para a cidade, onde contou tudo que acabara de acontecer.

Na manhã seguinte, foram lhe contar que perto de onde tudo aquilo acontecera, tinham encontrado a mão de uma mulher.

O homem juntou alguns companheiros e se dirigiram para o local. Ao chegarem, viram um rastro de sangue por onde a Mula Sem Cabeça tinha fugido na noite anterior. Seguiram a trilha em meio às arvores e, algum tempo depois, encontraram morta uma lavadeira conhecida no bairro.

Caída de bruços numa vala, a mulher tinha uma perna quebrada e o pulso do braço direito partido ao meio. 

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